por Adriana Müller

A denominação dada às intervenções coletivas baseadas nos pressupostos teóricos da Terapia Narrativa de Michael White e David Epston.

De forma geral, seguem quatro princípios básicos:

1. Destacar a dupla narrativa das histórias: a história do problema co-existe com a história de como a pessoa respondeu a ele. A ênfase dada a uma ou a outra versão determina qual delas será a história dominante – aquela saturada de problemas ou a que narra a história de como a pessoa conseguiu superar o problema, baseada em quais forças, habilidades, capacidades e valores, quais as pessoas que a ajudaram, entre outros aspectos;

2. Ampliar a história preferida: ajudar a pessoa a ampliar e descrever de forma mais rica a narrativa da sua história (e não da história do problema);

3. Relacionar as experiências individuais com situações coletivas;

4. Ajudar a pessoa a contribuir com a vida de outras pessoas que passam por situações similares.

Desta forma as intervenções das Práticas Narrativas Coletivas conseguem construir aquilo que Paulo Freire denominou de ‘unidade na diversidade’: partindo de experiências individuais, os participantes conectam suas narrativas ao grupo, encontram pontos em comum, resgatam as forças individuais e coletivas e, com isto, conseguem contribuir com a vida de outros que vivem situações semelhantes.

Para tanto as metodologias normalmente utilizam metáforas que facilitam o processo de conversação: linha da vida narrativa, árvore da vida, time da vida, pipa da vida, entre outras. Estas metáforas tem por intenção possibilitar que as pessoas envolvidas na dinâmica construam um território de identidade seguro o suficiente para que possam falar sobre suas experiências traumáticas sem que isto as re-traumatize.

De forma geral, estas intervenções têm início de forma individual na qual cada pessoa constrói sua narrativa, posteriormente, as pessoas compartilham com o grupo suas histórias e compreendem que possuem muitas coisas em comum (a busca da ‘unidade na diversidade’).

Finalmente, o grupo produz um documento coletivo no qual se registram os aprendizados, os conhecimentos, as capacidades, os valores dos indivíduos e do grupo – é o momento de compartilhar com outras pessoas a história preferida daquele grupo. Tal documento é, então, enviado a outros grupos de pessoas que também enfrentam dificuldades similares.

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