por Ana Luiza Novis & Lúcia Helena Abdalla

É uma metodologia que foi desenvolvida a partir da experiência clínica com pessoas portadoras de doenças crônicas. De forma leve e lúdica, busca resgatar a autoria dessas pessoas que, ao enfrentarem situações crônicas de adversidade, seja uma doença ou uma perda, sentem-se reféns do problema.

Contém seis momentos reflexivos que gradativamente promovem novos entendimentos, ampliam conversas e validam habilidades e recursos dessas pessoas, que readquirem assim sua liberdade, não vivendo mais em função do problema, mas convivendo com a situação numa nova perspectiva.

A metodologia narrativa “A Despensa da Vida" está organizada em seis momentos reflexivos: “A Chegada da Visita Inesperada”; “Dando Nome à Visita”; “Lidando com a Visita”; “Vasculhando a Despensa da Vida”; “Conversando com Sebastiana Quebra-Galho”; e “Construindo um Livro de Receitas”.

Os exercícios convidam a pessoa que está doente e sua família a estabelecerem uma nova forma de lidar com essa situação, ao imaginarem e descreverem o aparecimento da patologia em suas vidas como uma visita inesperada que chega à sua casa sem avisar, anunciar, ou ser convidada, e sequer fala o seu idioma.

A escolha sobre a metáfora da “visita inesperada” tem se mostrado muito rica por se tratar de uma experiência comum, vivida por qualquer pessoa, independente da cultura ou sistema familiar, além de viabilizar a externalização da patologia, que favorece o inicio de uma conversa com o problema.

As crenças, o contexto e as histórias em torno do aparecimento do “problema”, assim como todos os movimentos feitos na tentativa de solucionar ou amenizar a invasão dessa visita inesperada, são explorados como “experiências” que a pessoa e o grupo familiar realizam.

Durante o re-narrar da história são explorados todos os costumes, rituais, simpatias, sentimentos e crenças pertencentes ao sistema familiar, trabalhando-se com os discursos dominantes da família e da cultura em que está inserida.

Através das novas conversas que vão sendo estabelecidas, viabiliza-se um espaço para novos entendimentos, favorecendo novas perspectivas, histórias alternativas que favorecem uma nova forma dessas pessoas se relacionarem com a patologia, resgatando assim sua autonomia.

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